quarta-feira, 31 de agosto de 2011

... até quando?



A tempos Samuel vive a mesma rotina, aos domingos.
Acorda às nove da manhã, nos dias de sol escaldante,
chama mulher e filhos, e segue junto com eles
até a praia de pipa.

Meia hora mais tarde, Samuel já podia observar
a água salgada invadindo a praia semi-virgem,
os primeiros sinais de companhia humana arrastando-se,
e estendendo suas toalhas carcumidas, a alguns metros do quiosque.

Ha! O quiosque!
O quiosque que alimentava o seu sonhar!

Atrás do balcão de madeira,
ocupado com as águas-de-coco e os camarões,
estava ele.

A força que alimentava o desejo proibido de Samuel.
Leopoldo.

Enquanto o domingo arrolava,
as crianças se debatendo, numa disputa de castelos de areia,
a esposa, nervosa, ao notar que esqueceu o protetor,
Samuel se deleitava, com a imagem perfeita de Léo.

Sem saber até quando mais sua volúpia conseguiria
não interferir em suas ações

Surpresa



Era um dia de muito sol.
Pessoas amontoavam-se na praça,
querendo saber que confusão era aquela,
no meio do comício do Senador Firmino.

Não muito longe, podia-se perceber
um fusca, modelo 72, meio que ensandecido.
ziguezagueando e abrindo caminho por entre a multidão.

Só quando adentrou no centro da praça
é que as pessoas puderam ver.
Um homem, uma mulher e uma criança,
a bordo do pequeno veículo.

O motorista parecia furiso, e,
despercebido, foi de encontro a um poste
que, com o impacto, caiu, e quase esmagou o pé de amoras.
Porém, a banca do seu Serafim foi rasgada ao meio.

Enquanto policiais tentavam conter a confusão,
as pessoas saíram do carro.
Um homem desconsolado.
Uma mulher desconcertada.
E uma criança correndo, na direção do senador, gritando:

- Papai! Papai!
- Aqui está - disse o homem do fusca - Apresento-lhe o bastardo.

A graça da lembrança e a dor da espera



Frederico não suportava mais a distância de Clarisse.
A bela dama deixara um retrato esplêndido,
e se fora,
entusiasmada com a idéia de dar a volta ao mundo num veleiro,
com seu irmão pesquisador.

Frederico não sabia mais como viver sem seu amor proibido.
Até mesmo sua esposa, Catarina, percebera sua mudança.

- Porque ostentas esse olhar tão vago, meu amor? - ela questionava.
- O que disse, mulher? - respondia ele, despertando de sua viagem nas lembranças.
- Você. Parece-me a dias estar com a cabeça no mundo da lua.

Não, no mundo da lua. Sim, no mundo de Clarisse.

Donatela, irmã e cúmplice de Frederico, e delicada feito um dragão de Komodo, dizia-lhe:

- Firma-te homem! Não vais perder a vida por conta de um rabo de saia!

Mas não era um rabo de saia. Era o rabo de Clarisse. Ele, e todo o resto de sua miragem.
Que inundavam o peito de Fred.
Com a graça da lembrança e com a dor da espera.

Consideração do Poema *



Não rimarei a palavra sono
com a incorrespondente palavra outono.
Rimarei com a palavra carne
ou qualquer outra, que todas me convém.

As palavras não nascem amarradas,
elas saltam, se beijam, se dissolvem,
no céu livre, por vezes, desenho.
São puras, largas, autênticas, indevassáveis.



*Poema de Carlos Drummond de Andrade

Marketing in Neverland!



Oi! Eu sou Peter Pan!
E aqui na Terra do Nunca, ninguém vive sem
o pó de pirlimpimpim.
Com ele, você pode viajar de um mundo a outro,
como que num passe de mágica!

Uma salpicada e...
VRUUUM!
Vai-se do Japão ao Egito.
Sem se preocupar com detectores de metais.

Não é perfeito?

Adquira já o seu frasco!
E viva tranquilamente.
Sem medo de que uma menina louca feito Wenddy
corra atràs de ti pra lhe roubar beijocas.

Apenas uma dose e...
PLIM!
Você sumiu!

Nem mesmo Capitão Gancho lhe alcançará!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Achado antigo feito pra um antigo amor



Oi, amor...
Tô passando só pra dizer que penso em você o tempo todo, aqui.
Tô bem longe, com muitas pessoas diferentes me rodeando, e num lugar totalmente estranho.
Mas é como se o mundo inteiro inexistisse, sem você comigo.
Queria muito mesmo, que o mundo inteiro inexistisse, e sobrássemos apenas eu e você..
pra reconstruirmos o mundo com o nosso amor inabalável.

Sei que todo esse tempo, todo esse sacrifício... vai ser a oferenda mais linda...
ofertada aos deuses mais nobres, pra sacramentar o nosso amor.

Quero que saibas q te amo, e sempre te amarei
Serás sempre o meu lindo!!!

Camisa de força



Porque é que me voltas agora?
Porque é que depois de conseguir permanecer tão forte,
De uma forma tão sólida e inabalável,
Minha alma se entrega a você de novo?

Sei que não vales um puto furado.
Seus olhares de soslaio não me enganam mais.
Mas porque é que logo agora, me desconcertam de novo?

E esse desejo estúpido, de onde foi que eu tirei?
Sinto vontade de rir de mim mesmo.
Sei muito bem nem mesmo combinamos na cama.

Mas porque teimo?
Que droga!
Agora me vem de novo aquela antiga vontade de tentar?
Ou aquela esperança ridícula de que tenhas mudado.
Será?

Acho que não.

Acho que é só tesão.

E carência.

E TESÃO+CARÊNCIA=LOUCURA.

Alguém aí me empresta uma camisa-de-força?