segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sonho



Sabe, é uma coisa tão bonita! Tão diferente...
Não é me sentir triste por não estar com você.
É me sentir forte, por saber que já és minha vida.
E que muito em breve nos reencontraremos.

Como isso me revigora!
Deus!
Obrigado por esse presente.

A cada minuto um passo a menos.
Até você.
É com o peito entorpecido pelo mais sutil e casto amor
que lhe digo.
Te amo, trutinha dos olhos coloridos.

Triste








É triste quando perdemos algo.
Ainda mais triste quando esse 'algo' parece não poder ser substituído.
De repente você se vê tão feliz! Mas parece não estar completo.
Falta uma parte.
Falta poder compartilhar dessa felicidade com seu melhor amigo.

Você sabe que não fez nada errado.
Você sabe que agiu com retidão.
Mas aqueles olhos de tristeza e de rancor te mirando, enchem-lhe de culpa.

Culpa por, mesmo achando estar fazendo tudo certo, algo ter  ficado em desalinho.
Não é tão fácil quanto parece lavar as mãos.
Se desresponsabilizar.

Um amor lindo surgiu em minha vida.
Outro está se perdendo.
E mesmo que eu quisesse, não haveria como escolher entre os dois.
Seria como escolher entre o homem da sua vida e seu irmão.

Eu queria mesmo que todos estivessem bem.
É uma pena não podermos ter tudo...

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Multicolor



Me perco na imensidão desses seus olhos coloridos.
Ora azuis, ora cinzentos, ora verdes, luminosos.
Feito a natureza em flor.

Me perco ao recordar-me dos lindos momentos vividos.
Num encontro inusitado fascinamo-nos.
E surgiu o mais terno amor.

E você se entregou, com o coração devotado.
E você me fez sentir ser importante pra alguém.
E então pude ver à luz, o que há muito foi guardado.
Suas lágrimas de encanto me puseram refém.

E eu aqui xingando a Cronos, por não ter tua boca.
E eu aqui contando as horas pra mirar-te outra vez.
A saudade desconcerta-me de uma forma louca.
Mas conforto-me quando lembro-me do bem que me fez.

Quero também poder fazer você feliz.

Quer saber? Eu nem me importo se você for mesmo um vampiro...


terça-feira, 8 de maio de 2012

Sopa de Letrinhas





Aconteceria dessa forma:
J conheceria T.
R conheceria L.
Com o intuito de paquerar.
Mas não foi assim que tudo se sucedeu.

L e R se desinteressaram.
J e T até que se conheceram.
Mas a vista não brilhou.

O que se deu foi que L se encantou por J.
E J se encantou por L.
De uma maneira deveras linda.
Incomum.
Ímpar, de uma forma boa.


E J sensibilizou-se
com as lágrimas que L lhe devotou,
por medo dos interesses também serem ímpares, porém, de uma forma ruim.

Mas, por deus, esses foram pares.
Como dois valetes de paus.
E o universo, bem está a conspirar.
Para que J e L sejam duas letras felizes, juntas.

Um encontro consonantal inusitado.
Porém, dos mais-que-perfeitos.

E o melhor de tudo é que entre consoantes não existem hiatos.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Abstêmio





Tão digno seria, se pudéssemos
fazer perecer essa distância ínfima
que separa meus dedos dos seus.


Indicadores.


De um futuro que vislumbramos tão próximo, noutrora,
mas que agora nos parece tão utópico.
Distante.
A trocentas jardas.


Não há mais o sentimentopele.
O sentimento há.
E também a pele.
Porém, a antiga consonância se fez hiato.
E nos sobraram apenas memórias reticentes.


A lembrança túrgida dos espasmos de amor.
Os olhos que brilham.
A pele que se enrubece.
O encantamento aflito, na espera do porvir.


Sem o toque, tudo fica emoldurado, apenas.
E como  me dói ter de me contentar somente com a imaginação!


Imaginar tua arte.
A arte de me fazer bem quisto, por você.
Pra sempre.


Ha! Como eu enlouqueço não estando contigo!







segunda-feira, 30 de abril de 2012

Canção de lamento






Quisera eu poder arrancar só uma parte de ti.
Só aquela que me faz sorrir.
E então, tê-la, por completo, em mim.
Só aquela que me faz feliz.
Faz parecer que o mundo tem fim,
se não tenho você, bem pertinho.
Bem colado, agarradinho.

Quisera eu me esquecer do torpor
que é a tristeza de quando se foi.
Que eu pudesse me esquecer da dor
de quando deste-me o revés do "oi".
De quando as portas me batestes todas.
E então cobriu, sem pena, o olho mágico.

Trágico.

Não posso mais olhar você dormindo.
Rir da careta desenhada em sonho.
Nem me jogar em seus braços, se abrindo,
naquele abraço que me faz risonho.
Seus braços não me deixam mais sorrindo.
Me dá de volta meu abraço de urso.

Se esqueça de quando te amedrontei.
Se esqueça de quando te fiz chorar.
Pois de remorsos eu também chorei.
Queria que pudesses perdoar.
Lhe ofertaria as nuvens do céu todas.
Raios do sol, pra me amar de novo.

Sem você a ladainha se eterniza, sem nem ter refrões,
em meu coração.



sábado, 28 de abril de 2012

Apenas um jeito diferente de amar





Ele adora futebol.
Eu nem sei bem, ao certo, o que é um impedimento.
Ele até que tentou que eu tomasse gosto pelo esporte.
O máximo que eu fiz foi mandar uma cartinha pro Romário, do Flamengo, e engavetar o assunto.
Ele é meu pai e eu sou seu filho.
E eu o amo.


Ele escuta boleros.
Eu vou mais de rock n' roll.
Ele chora com Lindomar Castilho.
Eu até gosto da versão de "Vou tirar você desse lugar", dos Hermanos.
Mas as divas do pop music, mais do que me seduziram.
Ele é meu pai e eu sou seu filho.
E eu o amo.


Ele é dado a filmes de faroeste.
Eu prefiro thrillers, e temas ligados à militância.
Todavia, ele assiste ao Exorcista sem maiores problemas.
E eu até que me distraio com uns certos cowboys, da Montanha Broakback.
Ele é meu pai e eu sou seu filho.
E eu o amo.


Ele sente atração por meninas,
e se casou com uma adorável, minha mãe.
Eu espero delas somente amizade,
mas também penso em me casar.
Ele é meu pai e eu sou seu filho.
E eu o amo.


Ele, de início, não entendeu que eu fosse gay.
Apesar de eu sempre entender que ele fosse hétero.
Ele me decepcionou bastante.
Eu não correspondi à todas as suas expectativas.
Mas é meu pai, e eu sou seu filho.
E eu o amo.


Ele foi muito injusto comigo.
Eu, de certo modo, me deprimi.
Ele me disse palavras que eu penso não ter merecido.
Eu me rebelei, mas não sem causa alguma, como alguns disseram.
Ele é meu pai e eu sou seu filho.
E eu o amo.


Ele viu que sua postura me prejudicou.
Eu percebi que, de certa forma, devia entender seus valores.
Ele tentou não torcer mais nariz para os meus amigos.
E eu não trouxe o meu namorado para apresentá-los.
Ele é meu pai e eu sou seu filho.
E eu o amo.


Ele sente por eu ter me afastado dos seus.
Eu não vejo mais motivos pra me aproximar de muitos deles.
Ele se enervou ao descobrir o que alguns me fizeram.
Eu só o poupei por não crer que fosse compreender.
Ele é meu pai e eu sou seu filho.
E eu o amo.


Ele parece estar tentando mudar.
Eu não me contenho de alegria, por isso.
Ele agora entende que é o meu jeito de ser.
Eu nunca quis estar mais certo que ele.
Ele é um bom pai e eu sou um bom filho.
E eu o amo.


Sei que ele me ama também,
e isso basta, por hora.


O resto, o tempo se incumbe de fazer-nos conquistar.