segunda-feira, 19 de julho de 2010

Declaração


Queria muito poder falar com você com calma.

Me dê uma chance de te provar que eu te amo, vái?

Eu sei, e espero que você também saiba

que esse é o sentimento mais lindo

e também mais intenso que já vivi.


Tentei mesmo te esquecer, eu juro.

Mas não há como me livrar da tua lembrança.

É pedir demais pra mim.

Queria tanto que você me dissesse que tem medo de se envolver,

medo de se apaixonar, pôxa!

Eu sei que eu te amo!


Sei também que estou sendo piegas, mas não me importo.

Tudo pela possibilidade de sentir de novo seu hálito,

sentir a aspereza inebriante dos seus lábios

e o toque engraçado e docemente descabido da sua mão na minha.

Queria que me dissesses que teríamos outra chance.

E espero por isso com o mais lindo do que há em mim.


Eu amo você.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Doce quietude



A eminência de uma perda sempre se dá de maneira sutil.

A leve sensação de desagrado.

O torpor da lágrima.

A proximidade do não ter mais.


Leve-me de uma vez o que lhe cabe,

e extermine com meu sofrimento

a doce quietude, ó morte!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Mau final



Essa noite dormi um sono sem sonhos.

Me deixei levar pelo torpor da melancolia,

causado pela ausência do teu abraço.

Pela ausência do teu perfume

e dos seus modos pueris.

Tento, mas não convenço-me

de que tens mesmo que ir embora.


E nessa profusão animalesca de saudade e incompletude

sinto-me anestesiar.

Queria mesmo que se fosse de uma vez.

Sem essa de nos darmos como amigos.


Me ajude a me livrar desse torpor

e dilascere de vez minha alma.

Tire-me dessa dormância

e me deixe a fenecer, sem seu amor.


E prive-me da esperança.


Meu doce Veneno.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Espero até que você me ame





Seu olhar ainda me estonteia.
Depois de tanto tempo, mesmo
o meu coração refreia.
Ao perceber que sua lembrança
ainda é viva e bela em mim.
Mesmo com as negativas,
não me convenci do fim.

E os dias proibidos
de beijos em parques frios
me vêm em pensamento,
com seus modos arredios.
Parece até que as trocas
de carícias, no banheiro
aconteceram-nos ontem
e se repetem o tempo inteiro

em meu devanear.

Permita-me lembrar de ti
e sentir casta saudade.
Permita-me gostar de ti
com tal besta intensidade.
Me deixe suspirar por ti
sem medo algum de sofrer.
Me deixe a esperar por ti.
Eu espero o amanhecer.
Sem querer.

Bem-querer.

Meu Viver.

Espero, até que você me ame.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Outro feliz achado...


"Estou cansado do lirismo comedido.

Do lirismo bem comportado.


[...]


Quero antes o lirismo dos loucos.

O lirismo dos bêbados.

O lirismo difícil e pungente dos bêbados.

O lirismo dos clowns de Shakespeare.

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação!"


Poética - Manuel Bandeira

sábado, 15 de maio de 2010

Amar-te sutil e animosamene


Me deixe aprender a amar-te.

Mergulhar entre teus olhos

e poder não me afogar.

Deslizar entre seus braços

e um afago lhe ofertar.

Sem medo de me perder

nessa profusão deliciosa que é o seu abraço.


Me deixe aprender a amar-te.

Lembrar-me de teus receios

e poder fazer-me rir.

descobrir-lhe os anseios

e poder tais repartir.

Tornar-me cúmplice, na súplica

daqueles que querem enchergar teu sorriso.


Aprenda a amar-me também.

Mesmo que não sigamos a mesma cartilha,

ensinemo-nos e completemo-nos.

Sutil e animosamente

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sigamos tais leis:


Artigo I:


Fica decretado que agora vale a verdade.

Agora vale a vida.

E de mãos dadas marcharemos todos

pela vida verdadeira.


Artigo II:


Fica decretado que

todos os dias da semana,

inclusive as terças-feiras mais cinzentas

têm direito a converterem-se em manhãs de domingo


[...]


Artigo XII:


Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.

Tudo será permitido.

Inclusive brincar com os rinocerontes

e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.



Parágrafo único:


Só uma coisa fica proibida:

Amar sem amor.




>>>Extraído de "Os Estatutos do homem (Ato Institucional Permanente)" , por Thiago de Mello