quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Clichês



Fico entretido em seus olhares quando passas por mim.
Nada me importa mais no mundo quando me olhas assim.
Nada consegue abarcar tamanha grandiosidade.

Fico questionando os bons deuses que trouxeram você,
qual foi o momento celeste de imenso prazer
por qual passavam ao fazer você tão lindo pra mim.

O amor sempre foi a mim tão estranho antes de te conhecer.
Um sentimento vil de posse, sensação de poder.
Era o mesmo que privarem-me de minha liberdade.

Hoje vejo o quanto fui vazio por não poder te amar.
Dar-lhe meu coração aberto, meu carinho ofertar.
Agora sei que, sem você, a mim não existe a verdade.

Minha razão de viver é você.
Minha pieguice incontida é você.
Meus olhares abobados e sentimentalismo.

A tampa de minha panela é você.
Minha eterna alma gêmea é você.
Flores roubar de jardins e ofertar-lhe, aos sorrisos.

Ha! Como é bom ter descoberto os clichês!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Pequenos & Grandes



Algumas dúvidas me enervam.
Como a dúvida que há entre a modéstia e a pretensão.
Quero pensar que sim, mas teimo em pensar que não.
Pretendo dar as caras, mas os comedimentos me brecam.

Sócrates sim, foi esperto
por afirmar que só sabia que nada sabia.
Conseguindo abarcar o mundo
com uma auto-negação
e também auto-afirmação.
Falsa ilusão não concordar.

É preciso parar pra pensar.
Às vezes, merecemos mesmo o júbilo.
Como também há momentos nos quais
merecemos o fundo do poço.
Mas a medida precisa entre os dois
é que é difícil perceber.

Difícil se pensar.

Me resta apenas me entregar à minha pequenez
e à minha grandiosidade.
Não necessariamente nessa ordem.

E lá vamos nós...!!!



Não sabes o quanto me sinto enojado!
Parece-me que os pré-conceitos se fizeram banais.
Ninguém mais se preocupa com o respeito,
com a alteridade, ou com o outrem.
Enxergam a normalidade
como sendo conseguida por uma única fórmula.
Como se devêssemos venerar apenas o azul,
e desprezar o amarelo.

Sexualidade.

Etnia.

Religião.

Apenas expressões de diferentes formas de pensar.
E sem a diferença, não havereia o diverso.

Múltiplas culturas.
Múltiplos olhares.
Múltiplas direções.

Que cada um escolha aquilo que mais lhe agrade.
Mas sem deixar de abraçar e respeitar o diferente.

Que não veneremos mais nossa incompletude e nossa unidade.
Unidade essa propensa ao mal.
Pretensiosa e insana.

Que amemos, então, a diferença.

Leva-me.

Arrasta-me pelas mãos

e leva-me.

Faça-me devanear eternamente

por entre os recantos mais inebriantes do amor.


Agraceia-me com tua luz.

Com tua doce aspereza

E com tua cruz.

Carrega-me no teu peito,

assim como carregas teu deus.


Profana-te, entre delírios

e entrega-te a mim,

pois eu sacrifico-me a ti

tendo por testemunha o gozo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

AMOR PERFEITO


Ó, amor meu!

Amo-te tanto, e tão puramente!

Sem receios de me dar por inteiro.

Amo-te louco, vadio e demente.

Como se amor esse fosse o primeiro.

Como se o mundo fizesse acabar

todo o restante que não é você.


Ó, amor meu!

Faça findar toda essa distância

que nos separa dolorosamente.

Faça findar entre nós a inconstância

que nos causa chagas e deixa doentes.

Deixa doentes nossos corações

que já não sabem quanto podem dar.


Ó, amor meu!

Esqueça agora do mundo imperfeito.

Vislumbre em nós a total perfeição.

Dê-me aquilo que é meu por direito.

Teu corpo, tua alma e teu coração.

Pois sim, os meus já sã teus a bom tempo

que acho direito cobrar-lhe atenção.


Ó, amor meu!

Vamos! Sim, vamos agora!

Bailar nos infindáveis salões do desejo!

Rodopiar nos confins do gracejo

e degustar um do outro do beijo!


Alimento divino esse

que no meu íntimo

deixa pétreas e apetecíveis lembranças.


Lembranças essas que devo eternizar

no mais além do ideológico.


Deixe-me dar-me a ti

e dê então, a mim

todo o seu ser, empírico e imaginário.

"CÁLICE"


Ha! Como as pessoas falam, às vezes!

Sem propriedade alguma.

Como se as palavras fossem jorros de vômito

os quais basta cutucarmos a goela

pra se darem ao mundo.

IMUNDO.


Não sabem o quão delicioso é

nos darmos um tempo

e contemplarmos o silêncio.

Só você e o não-falar.

Você e o não-verbalizar.

Não pecar pelos excessos.


Já que não conseguimos silenciar

as vozes de nossos pensamentos

que silenciemos a voz física.

Descansemos nossas línguas

e nossas cordas vocais.

Coloquemos no vácuo nossos gritos,

nossas lamúrias e ais.


Calemos os discursos enfadonhos

os estrangeirismos medonhos

e os tagarelas insones,

sem travas na língua

e sem freios no comunicar.


Imaginemos que entre o pensar e o verbalizar

haja uma ponte levadiça.

Que só a baixemos

quando tivermos a plena certeza de que

não ocorrerão acidentes.

E que todos os ouvidos sairão ilesos.

Calemo-nos!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

INTIMAÇÃO (Íntima Ação)


Venha.

Venha até mim e se entregue.

Dispa-se de seus falsos pudores

e de seus falsos Armanis.

Se entregue a mim, apenas.


Venha.

Venha e me entregue seus lamentos.

Me entregue suas injúrias

e principalmente seu sexo.

Façamo-nos gozar

toda e completamente.


Não sinta receios de mostrar-se a mim.

Todo o seu ser repugnante já a mim se mostrou.

Com todos os egoísmos e dissimulações.

Basta mostrar-me agora seu corpo.


Sei que todo o seu moralismo não passa de um devaneio.

Contente-se, então, com o pouco que lhe dou.

Se não fosse por mim, já estarias tu jogada às traças.


Venha agora dar-me prazer.